segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Facebook? Não vejo mitos!


Tenho estudado bastante algumas pesquisas de comportamento virtualizado e em especial o Facebook é o melhor ponto para essa análise. Por um novo viés acadêmico busquei um olhara inda mais atento para comprovar "in loco" o que esses estudos revelam. Concordo com a maioria deles. Em dados quantitativos mais de 70% dos internautas começam e terminam seus dias dando uma espiada no facebook.
Já qualitativamente, existem de ciclos de uso. A maioria dos facebookers traçam o ideal (ou o correto) baseados em sua realidade. Até aí nada novo, não? As pessoas tem essa tendência de se colocar como parâmetros... é bem engraçado! Eu adoro de verdade ver as nuances de todos nós por aqui.
Devo ter meus deslizes para alguns e na verdade meu perfil deve ser bem chato e como sempre digo, mostramos aqui o que somos ou para muitos o que queremos ser...
Sem falar em perfis fakes que acho os mais legais, já que não são humanos e sim representação desejada de amigos, fãs e namorados (as) inexistentes. E os confrontos entre certo e errado...
Coloquei alguns parâmetros para mim mesmo. Nenhuma regra a ser seguida, mas apenas algo que me faz bem! Respeito e às vezes prestigio quem age diferente. Relato os mais polêmicos!
1. Muita raramente faço comentários políticos ou esportivos e nem entro em polêmicas religiosas. Quando me atrevo a algo nesses temas é mera expressão de algo do momento, sem panfletar! 
2. Não resisto a postagem que pedem uma "zuadinha". Esse é meu lado mal educado (risos). Mas, na maioria das vezes eu acrescento: "não pude perder a piada".
3. Joguinhos... bem, de vez em quando experimento por um período alguns deles. São fantásticos, mas sempre os bloqueio em geral. E não recebo convites insistentes porque os bloqueio e aí não preciso colocar algo xingando os "jogadores".
4. Informações falsas! Só compartilho o que conheço a origem! Avisos falsos do facebook, instagram e etc são os mais comuns. Mas, até gente e animais desaparecidos precisam ser checados.
5. As pessoas costumam falar que usam o facebook por estarem desocupadas e livres... ou sem trabalhar. Para mim, não! trabalho com informação e como disse o facebook é inevitável para mim...
6. Estar no meu facebook não é ser meu amigo e nem espero isso! Ilusão adolescente isso, não? Minha vida me faz conhecer muita gente, o que não seria diferente por aqui. Se passo na frente da casa de algum conhecido e o reconheço... não consigo entrar em sua casa e no máximo darei um aceno. Agora com amigos e de acordo com a intimidade, eu entro peço um cafezinho e até uso o banheiro. Simples, não é?
7. Somos o que somos! Se algo te incomoda no facebook, ignore, apenas isso! E deletar/bloquear alguém no facebook não é castigo para nada! Da mesma forma adicionar alguém novo não é uma premiação!

Está bom... fui chato! Deu vontade de escrever sobre o tema! Só isso!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Almodóvar em 2013. Será?

Tenho algumas paixões no mundo das artes. No cinema eu simplesmente adoro a estética, linguagem, fotos e acima de tudo roteiro do espanhol Pedro Almodóvar. Coleciono seu filmes. Assisto todos eles várias vezes. E o mais estranho é que sinto que apesar de as pessoas o julgarem como louco e ousado, seus relatos são o mais comum dos mundos.

Hoje conheci o trailer de seu próximo filme "Los Amantes Pasajeros". Não deu para perceber muita coisa, mas uma certa concessão ao previsível acontece. Vamos ver se teremos a ironia perigosa de sempre.

A sinopse promete: "A comédia de humor negro acompanha um grupo de viajantes durante um turbulento voo para a Cidade do México. Diante da ameaça da morte, os passageiros resolvem se abrir uns para os outros e começam a confessar seus pecados."

Esse é o primeiro teaser trailer. O vídeo traz uma engraçada divertida performance musical de aeromoços, ao som de I’m So Excited (que deverá ser o título do longa nos EUA) das Pointer Sisters.





No site de sua produtora El Deseo, Pedro Almdóvar fala do lançamento.“Los Amantes Pasajeros conta a história de um grupo de pessoas preso em um único ambiente e desconectado do exterior. Escrever o roteiro começou como um capricho e terminou cômico ao reunir comédia, moral, oral e irreal, ou irrealismo. Tentei deixar a realidade de lado, mas às vezes a realidade está enraizada sem que você perceba. Não tive uma referência cinematográfica consciente durante a gestação, é mais teatro atual, mesmo televisão, e minha claustrofobia do que cinema”, escreveu. “Neste filme há mais personagens do que o usual, mas menos espaço do que nunca. Já existiram muitos filmes sobre um grupo preso, você não poder deixar o lugar onde está (e a TV está repleta de competição e sobrevivência claustrofóbica), do Anjo Exterminador de Luis Buñuel a Enterrado Vivo, de Rodrigo Cortés, no qual tudo acontece no menor espaço imaginável, um caixão”, completou Almodóvar.


Los Amantes Pasajeros, que ainda não tem título em português, reúne em seu elenco Javier Cámara, Cecilia Roth, Lola Dueñas, Raul Arévalo, Carlos Areces, Antonio de la Torre, Hugo Silva, Willy Toledo, Miguel Ángel Silvestre, Blanca Suárez, José Luis Torrijo, José María Yazpik e Laya Martí, além de participações especiais de Penélope Cruz, Paz Vega e mais uma vez Antonio Banderas (o segundo nessa sua fase pós-Hollywood). Nos cinemas espanhóis chega em Março, e parece que no Brasil acontece só em setembro de 2013.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Recusa.


Não poderia existir melhor opção para finalizar meu domingo do que assistir uma boa peça de teatro. Já tinha conhecimento por comentários da qualidade enorme do trabalho da Cia Teatro Balagan (www.ciateatrobalagan.com.br). E hoje pela manhã li nos jornais que acabava a mostra Uma Simetria Invertida com a peça Recusa. Ou seja, eu precisava assistir HOJE!

Na mostra, que aconteceu nas instalações da SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt,  existia uma outra montagem com Prometheus – A Tragédia do Fogo, além de palestras, filmes e uma apresentação da cantora Marlui Miranda. Nessas horas, a gente percebe o quão rica é a vida cultural de São Paulo, pois não conseguimos dar conta de conferir tudo que há de melhor acontecendo na cidade simultaneamente.

Recusa tem um texto impecável de Luís Alberto de Abreu e direção de Maria Thaís. Os atores Antonio Salvador e Eduardo Okamoto são de uma intensidade em cena que não me lembro de já ter assistido algo parecido. A brilhante atuação dessa dupla significou a premiação da APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte na categoria melhor ator. MERECIDO!

Os primeiros minutos acontecem em um dialogo entre dois índios na sua língua nativa. Luzes e cenário davam um toque diferenciado. O trabalho de corpo é fundamental e o que parecia caminhar para um espetáculo lento transformou-se num impactante amor às raízes.

Dois índios, de uma tribo considerada extinta, vagam por fazendas de Mato Grosso. Há mais de 20 anos não havia sinal da sua etnia. Mas essa dupla de sobreviventes se recusa a fazer contato com quer que seja. Não quer falar com homens brancos. Não quer ajuda. Juntos, eles apenas riem das histórias que contam um ao outro. Preferem ficar só. Também aparece uma dupla de heróis ameríndios, Pud e Pudleré. O fazendeiro que matou um índio e sua vítima, além do resgate de Macunaíma e seu irmão.

O projeto para a montagem de Recusa nasceu há três anos quando atores, diretora, dramaturgo, preparadora corporal e cenógrafo, instigados por notícias de que a Procuradoria-Geral da União queria demarcar área de dois índios isolados. Com isso começaram uma pesquisa com antropólogos e estudiosos para chegar a um processo criativo dentro desse. Os jornais em 2008 noticiavam o aparecimento de dois índios Piripikura, etnia considerada extinta há mais de 20 anos.

Durante todo o processo de criação a Cia. Teatro Balagan, tornou público, na sua sede, o resultado da sua investigação. E no ano passado, eles realizaram pesquisa de campo em Rondônia com o povo indígena Suruí Paiter.  A pesquisa dos roteiros dramatúrgicos que experimentam os modos de narração, a sonoridade e outros modos de construção verbal (como a desestruturação da língua portuguesa, quando falada pelos indígenas). Exploram também cantos de diversos povos indígenas, que fundamentam a linguagem e são eixos que guiam a criação, permitindo que mundos distintos interpenetrem-se, que múltiplos pontos de vista encontrem-se e alguns seres, como os espíritos, os animais e as coisas, expressem-se. Ainda em processo de criação, eles mergulham nas relações de encontro, estranhamento, trocas e negociações estabelecidas entre esses diversos seres, mundos e a cultura branca.

Lindo! Fica minha reverência e também virei fã desse pessoal.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Esse cara é o Rei!

Quem diria? Fui assistir a um show do Roberto Carlos! Por que o espanto? Simples: não sou fã de Roberto Carlos. Tenho um enorme respeito por ele e o que significa como artista para nosso Brasil! Eu tive outras oportunidades de assisti-lo, mas nunca sucumbi ao interesse de vivenciar essas “Emoções”!

Recebi um convite para inauguração do novo Espaço das Américas... convite VIP, estacionamento VIP, coquetel e... show do Roberto Carlos. E o que fazer? Pensei em não ir, mas no final por uma curiosidade enorme, eu aceitei participar do inusitado evento!


Inauguração no novo Espaço das Américas - Show de Roberto Carlos - 04 dez 2012 - foto UOL

Tudo foi muito ritualístico desde os primeiros acordes! Na sequencia, embora com uma estética que não me agrada, a luz e o som é algo impressionante. Outro lado que não conhecia foi ver a facilidade que ele conversa com as pessoas. De verdade ele fala a língua do povo e de uma maneira que qualquer um entende! A historinha sobre seu cãozinho Axaxá que a gente desconhecia, mas nunca imaginávamos poder ter existido o tal “cachorro que sorriu latindo”.

É foi fácil constatar que suas canções embalaram a vida dos brasileiros pelo menos nos últimos 45 anos ou mais. Lembrei-me de meu pai, de minha mãe, da infância... lembrei dos Programas da Jovem Guarda e de uma prima que insistia em me vestir como aqueles cantores e como ainda bem criança, eu  me divertia muito.

Inegável ESSE CARA É ELE! Sai com a sensação que é uma dessas experiências que devemos ter na vida! Não vou comprar CDs ou DVDs, não vou assistir ao tradicional programa da TV Globo. Nada mudou, mas meu respeito sim! Sempre respeitei e agora comprovo. Esse é o REI. Um rei que fala como plebeu e encanta com algo divino.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Livro, um verdadeiro amigo

Estava pensando... gosto muito de ler! As pessoas conhecem minha fama de leitor voraz e a prova disso foi ganhar muitos novos exemplares de presente de aniversário!

Desde ontem eu pensava nessa relação tão forte com os livros e cheguei à conclusão que tenho com eles algo muito semelhante às pessoas.

Tem livros que ficam sempre em nossas cabeceiras. Eles fazem rir, chorar, emocionar... mostram um mundo desconhecido e fazem refletir o conhecido. Podem ser sérios e pesados, mas também conseguem ser leves e divertidos.

Livros não morrem! Assim como as pessoas, eles são importantes por toda uma existência. A cada nova leitura de um mesmo livro sempre há algo novo para se descobrir. Existem livros que não saem de nossas estantes, mas apenas temos acesso a algumas páginas. Muitas delas são até coladas.

Existem livros fáceis e livros difíceis.

Tem aqueles que perdemos de vista e quando os encontramos... nos deixa feliz pelo reencontro! Outros fazem perceber que sequer fizeram falta ou mal lembrávamos que existiam. Uns são livros da infância e que ficam lá só na lembrança. Outros evoluem a cada nova leitura.

Muitos livros são tomados, surrupiados e nunca mais devolvidos. Tem livros que são maltratados e despedaçados e mesmo quando perdem alguma página conseguem manter sua essência. 

Ultimamente, percebi que amar também é o desapego que deve proporcionar liberdade. Um livro é um ser vivo e não pode ser exclusivo, sendo assim muitos dos meus livros se vão para outros leitores, mas sempre ficarão guardados na memória.

Os livros comprados são conquistas que nos permitimos atingir e aqueles que são presenteados devem ser vistos como o carinho de uma entrega verdadeira.

Eu poderia ficar horas escrevendo sobre os livros. Não existem livros bons ou ruins. Livros são livros e assim também vejo você que acabou de ler este texto.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Borges, você me perdoa?


Será que estou ficando maluco? Ou será que sempre fui? Lembro que ainda na faculdade ouvi falar de seu nome. E li um texto seu no livro “PRÓLOGOS COM UM PRÓLOGO DE PRÓLOGOS”. Simbolicamente, uma professora me presenteou com esse seu livro e como sempre ávido por bons textos quis conhecer “o tal escritor argentino e cego”. Essa professora, que já era sua admiradora, falava de sua maneira peculiar, simples e bem humorada de falar da morte. Sabe querido mestre... (gosto de imaginá-lo assim e isso não é novidade, afinal aprendi com você a conversar com autores e personagens mitológicos) também penso que meus textos são autobiográficos. Aliás... agora são nossos textos, não? Desculpe-me, mas não pude perder a piada.

Ah mestre... e agora? Tantos textos eu escrevi. E quis o destino que justamente um texto para um grupo que participo como ator tivesse que revisitar sua produção e sua vida! Sabe aquele fluxo criativo que sentimos quando estamos criando? Pois bem, quando bati o ponto final após elaborar nove cenas para um texto teatral... senti o quanto sua influência me guiou durante esses tantos anos. O texto estava pronto conforme me havia sido demandado, faltava um título, dizem que dificilmente os títulos são criados por quem escreve um texto. A querida diretora de grande sintonia em nossas conversas, que solicitou esse trabalho sugeriu “ENTRE RIOS”. Não poderia ser mais perfeito. Uma síntese de nossas conversas. Acho que ela já ouviu algumas delas.

Quando começamos a criar e ensaiar a peça, cada uma de nossas palavras (as minhas e as suas) estavam mais mágicas do que nunca. Mas ontem... ah ontem... por um momento em que presente e vivo no palco como ator, eu ouvia atores empenhados num processo digno de sua grandeza, a emoção ficou mais forte! Nesse momento senti que precisamos ficar um pouco distantes! Não esquecerei de nada do que já conversamos, porém como ator faz-se necessário. Ainda não é o momento de “restar só palavras”. ENTRE RIOS pede ação! E assim Borges... Vamos ficar sem conversar um pouco. Pode assistir nossos ensaios. Não tem problema. Muitos “Seres Imaginários” estão sempre pelo teatro e serão umas excelentes companhias. Mas fica “quietinho”, ok? O Rubens ator precisa agir e não podemos conversar. Se não gostar de algo, me fale após a última sessão no dia 29 de novembro. Por favor, me perdoa se conduzi algo que não tenha gostado. E como você diria... “leiam outros autores”! Obrigado mestre, suas palavras me ensinaram e continuam me ensinando muito. Até breve!

domingo, 14 de outubro de 2012

Não sou professor!


No final de 1996 estava cursando “Didática do Ensino Superior”, disciplina obrigatória para Pós-Graduação da Faculdade Cásper Libero. Incentivado pela professora resolvi ir abrir este espaço paralelo em minha vida profissional. Duas universidades (uma no extremo da Zona Sul e outra da Zona Leste) me chamaram para docência em cursos das suas faculdades de comunicação. De imediato, eu percebi que poderia passar minha experiência para uma galera ansiosa por aprender... e esse é meu compromisso até hoje!



Já se passaram 16 anos. Estive em sete instituições de ensino em cursos de Publicidade, Relações Públicas, Jornalismo, Rádio e TV, Marketing, Secretariado, Administração, Turismo, além de duas pós-graduações. Sempre com a coerência de passar minha experiência em comunicação e marketing. Passei por coordenação de cursos e direção de uma faculdade. Em 2001, eu pensei em parar de dar aulas, mas não consegui! Nos últimos dois anos reduzi minha carga horária para meia noite por semana. Confesso que andei meio desiludido com a postura de alguns alunos, mas neste ano voltei a sentir o incentivo dos alunos e voltei a ter uma noite inteira de aulas. É bom sentir feedback que nos dá a certeza de poder ajudar pessoas em sua formação profissional.

Tenho a consciência de não ser um professor, mas sim apenas um publicitário que se atreve a dar aulas. Quando um aluno me chama de professor, ainda hoje acho estranho. Não sou esse ser iluminado que dedica sua vida ao ensino, mas apesar disso reconheço o carinho de muitos deles comigo.

Feliz Dia dos Professores!

sábado, 13 de outubro de 2012

Agora também no Facebook


Escrever é minha paixão. Tenho certeza que o Facebook é uma excelente possibilidade de publicar meus textos. Sendo assim, o Blog "Escrevendo Sem Compromisso" (http://escrvendosemcompromisso.blogspot.com) passa a ter um paralelo no no http://www.facebook.com/EscrevendoSemCompromisso.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

GOD SAVE THE ROLLING STONES

12 de julho de 1962 - eu já estava esperando para vir ao mundo... e nessa data surgia os "Rolling Stones". Observando essa cronologia percebi o quanto esse grupo sonorizou minha vida! Bailinhos, paqueras, namoros, loucuras, paixões, amigos, tristezas e alegrias... definitivamente são umas das minhas trilhas sonoras. 28 de janeiro de 1995... um sonho se realizou em pleno Pacaembu: assisti um show "ao vivo". Inesquecível! No último final de semana cantei muito a canção que fala sobre a Lady Jane!* No melhor estilo britânico: GOD SAVE THE ROLLING STONES.


* a versão original é de 1966 e em foi trilha do espetáculo “O Amante de Lady Chatterley”, uma adaptação teatral inédita do clássico da literatura inglesa do escritor D.H. Lawrence realizada lindamente pelo meu amigo Germano Pereira.

domingo, 1 de julho de 2012

Hamlet-Machine, teatro em tempos de (in)quietudes


A montagem do texto Hamlet-Machine do dramaturgo alemão Heiner Müller foi a opção escolhida pelo ator e diretor Lucas De Lucca com um grupo de atores / alunos para participar nos dias 2, 3, 4 e 5 da 76ª Mostra Macunaíma de Teatro, em São Paulo.

Esta peça foi escrita em 1977 e inspirada no original Hamlet, de William Shakespeare. Em um processo de desconstrução, a peça é estruturada em cinco cenas que espelham catástrofes da história e da cultura ocidental e a crise do artista e intelectual, dividido entre o desejo de se transformar em uma máquina sem dor ou pensamentos e a necessidade de ser um historiador desse tempo conturbado do século XX. A peça é construída basicamente através de citação – além de textos do próprio Müller, são citados Artaud, Benjamin, Eliot, Hölderlin, Pasternak e Marx, entre outros. 

A Mostra Macunaíma de Teatro este ano propôs aos participantes a busca pela reflexão profunda do quanto a arte pode ajudar na identificação dos problemas de nosso tempo. Dentro desse conceito a escolha de Hamlet-Machine não poderia ser melhor. Para o diretor Lucas De Lucca, “Montar qualquer texto de Heiner Müller é uma aventura. Na nossa montagem de Hamlet-Machine, a oportunidade de nos depararmos com um texto repleto de lacunas e de informações soltas é como estar num quebra-cabeça e achar o sentido para o aprendizado de um grupo de alunos-atores. Isso é fascinante. Ele é um dramaturgo que incita a criação no ator, que o presenteia com a liberdade da escolha. Poder escolher é algo que agrada, mas também traz insegurança e inquietudes. Escolher é também saber honrar suas escolhas”. O elenco é formado por 15 atores. Esta montagem traz um trabalho diferenciado com o uso sutil de coros e um expressivo trabalho de corpo. 

A peça aborda també o conflito de gêneros, onde a inversão dos papéis de homem e da mulher se intensifica nessa meta de transformação no homem-máquina. “O que mais fascina no ensino-aprendizagem é o quanto um grupo é capaz de se apropriar dos conceitos estudados; e, o quanto esse grupo também nutre quem o orienta. E esse grupo tem esse diferencial: são esforçados, criativos, empenhados, estão na contínua inquietude da busca. Isso é maravilhoso!”, finaliza Lucas.


Montagens brasileiras

Várias montagens consagradas de Hamlet-Machine mostram que esse texto dá uma abertura riquíssima de diferentes formas de interpretação. Em 1987, o diretor Marcio Aurélio colocou a atriz e coreógrafa Marilena Ansaldi numa ousada concepção de montagem. O conhecido grupo “Os Satyros” encenou esse texto em 1996 no Museu da Cidade de Lisboa. Em 2009, o “Deutsches Theater Berlim” trouxe o renomado diretor teatral búlgaro Dimiter Gotscheff para São Paulo e essa adaptação contou com dois atores brasileiros, Paula Cohen e Gero Camilo, além do próprio diretor em cena. 


Serviço: 
Hamlet-Machine  de Heiner Müller 
Teatro Escola Macunaíma 5 
Data: 02, 03, 04 e 05 de Julho - Horários: 19h e 21h 
Duração: 50 minutos - Recomendação: 18 anos 
Direção: Lucas De Lucca - Assistência de Direção: Fábul Henrique 
Ingressos na bilheteria ou antecipados no site http://goo.gl/JkvwK 


Elenco:
Cecí Martins / Daniel Costa / Deborah Brandt / Irun Gandolfo / Jonas Falcão / Julieine Nascimento / Karen Tasso / Kelly Margutti / Lili Nunes / Monike Brandão / Paulo Marino / Rubens Júnior / Sandra Maura / Tais Medeiros / Willis Arf 
A programação completa da Mostra Macunaíma de Teatro pode ser consultada em http://www.macunaima.com.br/mostra/