sábado, 12 de março de 2011

Elas me fazem bem...

Blues, Jazz e essas lindas vozes femininas sempre me inspiram e emocionam! Hoje... um dia estranho... após notícias tristes e reflexivas vindas do Japão. De repente um fargilidade física que já senti outras vezes foi traduzida em fortes dores. Remédios paleativos são fracos, mas as vozes dessas divas enchem minha alma.

Segue uma seleção que indico como um alívio que me faz muito bem!

Dorothy Moore – Misty Blue

Sua carreira decolou com uma série de baladas para Malaco Records. "Misty Blue" marcou os Top Lists. Nos anos seguintes ela sucumbiu à onda DISCO e por fim hoje está no cenário Gospel. Mas esse seu único grande sucesso é suficiente para estar nesta minha lista.


Nina Simone – Angel of the Morning

Sou suspeito para falar de Nina Simone. Como membro da comunidade lovemarks tive o prazer de indicar seu nome para receber este conceito e em junho do ano passado ter a aprovação (http://tinyurl.com/35qcst5). É a grande Sacerdotisa do Soul. Cantora, compositora, pianista, arranjadora e ativista dos direitos civis. Sempre foi associada à jazz, mas originalmente quis ser uma pianista clássica. Sua história registra o ecletismo que inclue clássico, jazz, blues, soul, folk, gospel e pop. Faleceu em 2003, e consegui assistir a um show seu (http://tinyurl.com/4otrlx3). Angel of the morning é uma canção que muitos interprtes gravaram, mas esta versão de Nina que não é um dos seus hits é sublime! Cada palavra toma um corpo ainda maior de significados. Confira acompanhando a letra.



Etta James – I’d rather go blind

Esta californiana irreverente e mal comportada teve um sério problema de drogas e romances mal sucedidos, que interferiram em sua carreira. Posteriormente ela tem problemas com a obesidade (chegando a ter quase 200 kg), que levaram-na a fazer uma cirurgia gástrica em 2003, fazendo-a perder quase 100 kg. Assisti um show de Etta nessa fase em 1994, pois ela esteve em São Paulo no Nescafé Blues. Mesmo enorme e cantando sentada não esqueço de uma platéia enlouquecida (o que me incluía) dançando e cantando junto com ela. A partir de cirurgia Etta retomou a carreira e realiza tours pela América junto com seus dois filhos, Donto e Sametto. Seu hit “At Last” sonorizou o baile da festa de posse do Presidente Obama. A possibilidade de perder um amor faz da canção “I’d rather go blind” minha favorita.


Des'ree - You Gotta Be

Com seus 42 anos ela é a minha “baby” diva. Para surpresa de muito, Des'ree foi criada no sul de Londres. Seus pais, que haviam se mudado para a Inglaterra do Caribe, a introduziram na música com reggae, calipso e jazz. Ela decidiu seguir a carreira musical durante uma viagem de três anos à Barbados, quando tinha 14 anos. Tem um avô brasileiro. Seu single "You Gotta Be" chegou em 5º lugarna Billboard Hot 100 dos Estados Unidos e permaneceu no topo da parada musical inglesa por três semanas. Gosto de tudo que ela canta, mas “you gotta be” é meu mantra pessoal!


Teria uma lista enorme e muitos nomes... fica uma pequena mostra!

quarta-feira, 9 de março de 2011

ANTES DA COISA TODA COMEÇAR

foto: divulgação
O espetáculo “Antes da Coisa Toda Começar” estreou em fevereiro nos palcos paulistanos no Centro Cultural Banco do Brasil em temporada até dia 3 de abril. É a 19ª produção da Armazém Companhia de Teatro e conta com a direção de Paulo de Moraes e com elenco fabuloso formado por Patrícia Selonk, Thales Coutinho, Rosana Stavis, Ricardo Martins, Marcelo Guerra, Simone Vianna e Camila Nhary. O surpreendente texto é do próprio diretor e também de Maurício Arruda Mendonça.



foto: divulgação
A morte, o processo de criação e o reflexo do ser humano são mostrados em uma forma de diálogo pioneiro e com fortes traços de estética contemporânea. Alguns momentos um humor irônico traz essa nossa rotina perturbadora do mundo moderno. A sensação de sermos imortais são pontuadas pela possibilidade que temos de dominar nossas vidas, ou seja “antes de a coisa toda começar” somos simplesmente humanos.



foto: divulgação
A peça conta três histórias: a de um ator em crise (Thales Coutinho), a de uma jovem apaixonada (Patrícia Selonk) e a de uma cantora (Rosana Stavis) que tentou o suícidio. As narrativas são paralelas e independentes, mas podem ter uma ligação subjetiva. Cabe ao espectador fazer essas conexões em meio aos estímulos sensoriais da montagem.



O cenário e iluminação são ingredientes de primeira grandeza e parte integrante de toda a apresentação. No palco, há portas frontais e laterais de onde saem os atores e paredes que se movem para causar no público a impressão de inserção no espetáculo, além de gerar reflexão sobre os temas do enredo. Tudo muito elegante e forte! As canções são interpretadas pelos atores que, em alguns momentos, formam uma banda de rock que faz sua performance em uma plataforma bem elevada ao chão do palco. Lindas vozes e em especial da atriz Rosana Stavis, um presente à parte! E a trilha vai de Edith Piaf a Rolling Stones.



O Armazém Companhia de Teatro é um dos três grupos mais importantes do país, como o Galpão, de Minas Gerais, os Satyros, de São Paulo. Atualmente radicado no Rio de Janeiro, o “Armazém” formado, em Londrina, no ano de 1987.


foto: divulgação

 


Serviço
Antes da Coisa Toda Começar - Armazém Companhia de Teatro
Direção: Paulo de Moraes
Quando: até 3 de abril de 2011
De quarta a sábado, às 19h30. Domingo, às 18h.
Duração: 100 minutos
Classificação etária: 16 anos
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo
Quanto: R$ 15
Informações: (11) 3113-3651 e 3113-3652
Ingressos antecipados: Ingresso Rápido: (11) 4003-1212
Transporte: uma van faz o transporte gratuito do Edifício Zarvos (Rua da Consolação, 228) até as imediações do CCBB.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nina Simone, eu consegui!

Faço parte da comunidade que discute e classifica as LOVEMARKS. As chamadas lovemarks são marcas superdesenvolvidas que inspiram a lealdade dos consumidores com base na emoção. Kevin Roberts é o CEO mundial da Saatchi & Saatchi, uma das maiores agências de publicidade do mundo, com 7 mil funcionários e escritórios em 86 países. Essa agência se autodefine como “empresa de ideias”, a Saatchi & Saatchi busca ser um celeiro de ideias transformadoras que favoreçam o desenvolvimento sustentável de seus clientes.

Esse conceito traz a tona de verdade os valores emocionais que a sociedade imprime, as coisas, lugares e até pessoas. É o humanismo fazendo parte dos planejamentos estratégicos para qualquer ação neste nosso planeta.

Já indiquei algumas lovemarks e finalmente no dia 17 de junho de 2010... uma delas foi aceita. Na categoria Music & Radio sugeri o nome de Nina Simone. Fico feliz porque essa cantora tem um significado magnificamente transformador em minha rotina. E vale a pena conferir “in loco” esse fato: http://tinyurl.com/35qcst5


Em 1996, eu assisti um show de Nina Simone no Parque Ibirapuera. Esse é um dos presentes que tive na vida. A oportunidade de sentir ao vivo uma das vozes mais lindas que este planeta acolheu. Sinto como se fosse hoje a sonoridade de seu canto ecoando sobre uma platéia emudecida em uma tarde ensolarada. Pássaros misturavam-se ao som de sua voz.









  • Comunidade lovemarks: www.lovemarks.com

  • Livros de Kevin Roberts sobre lovemarks: Lovemarks: the future beyond brands, lançado em 2005; Peak performance: inspirational business lessons from the world’s top sports organizations e Sisomo: the future on screen, sobre como criar conexões emocionais por meio do som e das imagens, também lançado em 2005. Em 2006, publicou olivro The lovemarks effect – winning in the consumer revolution.

  • Sobre Nina: www.ninasimone.com

  • Ouça um pouco na Rádio UOL: Nina Simone - The Best Of Nina







sábado, 5 de junho de 2010

Saudades da Kátia Flávia!

Há um bom tempo queria buscar algo emblemático e ao mais tempo divertido que simbolizasse o período dos meus 20 e poucos anos. Já sei que todo mundo sempre fala em Legião Urbana, Barão Vermelho (com Cazuza), Titãs (completo) e até do Paralamas com uma pitadinha de Capital Inicial!

Entre 1986 e 1988 foi a minha descoberta intelectual! O teatro, a música, o cinema mostravam um colorido que o final da ditadura militar selava meu momento de entrada na vida adulta.

A princípio meu querido amigo Décio (um grande par intelectual) e nossas namoradas da época, a Mônica e a Iolanda formávamos um quarteto de intensa vivência numa cidade que se mostrava pulsante aos meus olhares sedentos por absorver o mundo. Eram exposições, a proximidade com o CPT e o Antunes Filho, a apresentação inebriante de Kazuo Ohno, o concreto de Décio Pignatari (coincidência de nomes), oficina de texto com Paulo Leminski (um presente em minha vida), projeto Arte-Door com poema meu e arte da Mônica), A Fábrica do Som (no SESC Pompéia), os corredores da TV Cultura, o Bar Barô (na Benedito Calixto), o Radar Tantã da Dedé Veloso (a eterna ex do Caetano). Tudo era motivo para celebração de vida! Deveríamos ter celebrado muito mais... merecia pela riqueza disso tudo!

O videoclip era um projeto em tubo de ensaio do que teríamos em termos de comunicação tecnológica. Tudo isso bem antes de MTV e nem rabiscos de Internet. O “Fantástico” da Rede Globo (putz) era o palco dessa nova expressão!

Numa dessas noites fomos assistir uma  peça com uma talentosa atriz que ainda era novidade nas telas das novelas, mas que parecia muito plugada nesse momento que passávamos. A montagem era quase um videoclip no palco e conta as histórias de “Ataliba, a Gata Safira”. Débora, em um monólogo fazia Ataliba que era uma tresloucada que contava suas aventuras em um ritmo alucinado. Suas falas davam a impressão que iria perder o fôlego. Num momento engraçadíssimo, Ataliba contava seu suposto romance com Mick Jagger em uma época que com certeza nem Luciana Gimenez imaginaria tal feito. De repente, ela sentou em meu colo e continuou parte da peça ali mesmo.

De quem era o texto? De Fausto Fawcett, amalucada figura do teatro carioca que ficou conhecido pelo hit “Kátia Flávia”. E então fui buscar essa imagem no bom Youtube e essa estética meio tosca me fez lembrar dias tão gostosos. Vale lembrar. E o quarteto? Bem, sei que a Mônica mora bem perto de mim! Mas a vida nos levou a outros caminhos. Iolanda soube por outros que abandonou o teatro. O Décio perdi o contato.... sei que esteve em São Tomé das Letras. Casou teve filho e descasou novamente. Passou por Fortaleza, soube que morava aqui perto no litoral, em São Vicente! Que o calor que senti no coração chegue até vocês...

Com vocês essa síntese divertida de minhas lembranças....


quinta-feira, 18 de março de 2010

"Salve Geral", assustadoramente real!

A mais famosa locadora de DVDs está agora com uma proposta de e-commerce. Eles estão tentando ressuscitar o hábito de locação de filmes de uma maneira bem diferente! São três títulos que você vai trocando sem limite de data para devolução. Recebi uma promoção em que posso experimentar o serviço por 60 dias. Aceitei... e tinha então que escolher os filmes. Confesso que alugar filmes não faz parte de minha vida há pelo menos uns 2 ou 3 anos. Abri o catálogo na Internet e escolhi o filme “Salve Geral”. Por puro preconceito, eu imaginei que seria mais uma produção nacional que retrata violência e miséria. Sei que temos bons filmes realizados nessa proposta, mas sinto um certo incômodo de algo que ainda remete a cultura do “Cinema Novo” só que fora de época!



O filme é uma surpresa! É baseado em fatos reais ainda na memória dos brasileiros e em especial dos paulistanos, quando o crime organizado em maio de 2006 parou uma das maiores cidades do planeta! Já conhecia o excelente trabalho de Andréa Beltrão, mas Denise Weinberg na pele de “Dra. Ruiva” está maravilhosa. De verdade, o trabalho dos atores é espetacular. A fotografia e iluminação são pontos especiais na produção.


Confesso que não é o tipo de filme que me agrada, mas e daí? Meu gosto ou predileção é secundário diante de tamanho profissionalismo. E todo mundo sabe... a realidade incomoda! Fiquei incomodado, mas minhas reverências a uma grande produção verde e amarela!



Salve Geral - FICHA TÉCNICA

Diretor: Sérgio Rezende
Elenco: Andréa Beltrão, Michel Gomes, Lee Thalor, Eliane Giardini, Marco Ricca, Denise Weinberg, Bruno Perillo, Guilherme Sant'Anna, Cris Couto, Eucir de Souza, Taiguara Nazareth, Juliano Cazarré.
Produção: Joaquim Vaz de Carvalho
Roteiro: Sérgio Rezende, Patrícia Andrade
Fotografia: Uli Burtin
Trilha Sonora: Miguel Briamonte
Duração: 119 min.
Ano: 2009
País: Brasil
Gênero: Drama
Distribuidora: Sony Pictures
Classificação: 16 anos


trailler oficial

entrevistas: Sérgio Rezende e Andrea Beltrão

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Geisy ou Geni?

É a bola da vez! Talvez por minha vida acadêmica que tem uma história de quase 15 anos como professor em sete instituições de ensino superior, - tendo sido coordenador de curso e até Diretor em uma delas – estou sendo constantemente abordado sobre o emblemático caso da “Loira de vestido ousado da Uniban”.

Tomei a decisão agora de colocar apenas alguns pontos de vista da minha reflexão. De qualquer forma, se o caso tomou essa proporção, que sirva de alerta (seja qual for sua opinião) para observamos a sociedade em que vivemos, que mesmo em tempos de redes sociais apenas mudam um referencial tecnológico e continuam com seus mesmos conflitos.

• Pernas de fora sempre frequentaram bancos, escadas e corredores universitários. Nas minhas lembranças estudantis há mais de 20 anos, nossas colegas levavam ao delírio a ala masculina. Sinceramente, eram até mais ousadas do que a “musa Geisy”. Hoje, são executivas, esposas e mães.
• Casos parecidos ou similares? Eu testemunhei muitos. Lembro de um aluno ameaçado por ter posado nu em revista gay e não aceitar assédio de postulante colega leitor. Ou de alunas “garotas de programa” que preservam ferrenhamente sua identidade e mesmo assim são patrulhadas. Soube até de professores que expuseram suas estripulias sexuais em uma conhecida revista feminina.
• Muito se falou em “falta de valores”. Mas quais valores? Será que a Geisy, seus colegas, fãs e agressores sabem o que é ter valor? Ou será que tiveram a oportunidade se saber do que se trata respieto mútuo.
• Poucos anos atrás, um aluno xingou com todos palavrões conhecidos e até alguns inéditos uma colega professora. A faculdade fez corretamente uma advertência por escrito e estipulou um prazo para sua retratação. O aluno procurou a direção e honestamente ficou surpreso, pois disse que tratava “todo mundo” – inclusive seus pais - com esse linguajar. Disse desconhecer que não se pode falar assim com professores! Essa resposta me chocou mais que o ato de xingar.
• A Universidade foi frágil sim. Isso é fato! Não soube agir e quando fez, errou! Será que a comercialização do ensino não deixa instituições despreparadas?
• Dizem que a Geisy vai posar para “Playboy” e até que vai estar no programa “A Fazenda” da TV Record (essa eu ouvi hoje). Bom, mas e daí? Ela é culpada? Quem recusaria na sua condição tais convites? Se convidam é porque vende revista ou dá audiência. Talvez seus agressores até comprem um exemplar e peçam para “a ilustre colega” assinar.

O melhor texto que li foi do Tuty no Estadão. Muito bom mesmo e reproduzo abaixo. Até porque ele foi muito coerente e bem humorado (como sempre). E acertou ao não julgar! Façamos o mesmo!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Livro dos Monstros Guardados

Um grande espetáculo! Uma profunda emoção toma conta da plateia da montagem de “O Livro dos Monstros Guardados”. Mas quais são esses monstros? E porque estão guardados? Essas são as perguntas iniciais que nos vem à cabeça, mas a certeza é que ao sairmos do teatro essas perguntas estarão plenamente respondidas. Ou no mínimo começaremos uma grande reflexão.

A comunhão entre os atores é percebida em cada segundo de interpretação, mesmo sendo uma maravilhosa colcha de retalhos (monólogos). A direção é uma competente costura das várias histórias transformando em uma apresentação sensível e cheia de surpresas. As cenas que parecem desconexas, no final se transformam na solução precisa e coesa do texto. Personagens e figurinos têm um certo tom de cinema europeu, algo como meu favorito Almodóvar.

A peça tem algo só dela. Aliás, este é o segundo trabalho que assisto deste diretor e percebo que seu trabalho tem sempre o frescor de uma linguagem inusitada. Essa peça se resolve por si só. As circunstâncias e objetivos de todos profissionais são pontuados por uma excelente colocação das vozes. O processo de um bom trabalho fica claro em uma partitura coerente de personagens.

A amargura e a ironia retratam um universo de desajustados e com sentimentos “guardados” como os de um executivo que abre suas fantasias sexuais, um rapaz maníaco por limpeza e uma mulher obcecada por caridade se contrapõem a uma garotinha que retrata abusos e a um jovem com problemas urinários. Em certo momento, já com a interação entre personagens, a representação de um cãozinho machucado transborda na atuação. Enfim as histórias de Magali, Madá, Maurício, Max, Milton, Mestre Eme e Mojo são explicadas em primeira pessoa. Os atores são personagens e também auto-narradores das ações.

Iluminação e cenário são também uma diferencial com cabines de banheiro. Não poderia ter lugar mais adequado para mostrar sentimentos guardados. O figurino é simples e bem cuidado. Assim, o espectador sai com a leitura completa de um livro encantador. É “O Livro dos Monstros Guardados” composto por autor, diretor e atores.










Ficha Técnica:

O Livro dos Monstros Guardados
Direção: Zé Henrique de Paula
Com: Sandra Corveloni, Otávio Martins, Fabio Redkowicz, Daniel Tavares, Patricia Pichamone, Luciano Gatti e Fabrício Pietro
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Texto: Rafael Primo


Teatro Imprensa
R. Jaceguai, 400 - Bela Vista - Centro. Telefone: 3241-4203.
quartas e quintas: 21h.
Uma lata de leite em pó, trocada na bilheteria uma hora antes, dá direito ao ingresso pelo Projeto Vitrine (quem não puder levar a lata paga 10 reais inteira e 5 reais meia). Até 26 de novembro.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Homenagem à Carminha!


Muitas vezes, curtas convivências mais do que amizades nos trazem respeito e dedicação. Hoje, eu recebi um texto do Dário, um rapaz que espero poder ter sempre por perto. Sua mãe faleceu há uma semana e esse texto me tocou demais. Aqui mesmo neste blog já falei da saudade que sinto de meu pai (clique aqui) e pensei então no caminho que meu querido amigo agora vai trilhar por saudades de sua mãe!

Dário, essa é vida meu amigo! A Carminha sempre terá orgulho de você! E eu, num mundo tão frio... fico feliz por te conhecer!

Texto da Homenagem:

"Batalhadora, guerreira, generosa, caridosa, carinhosa, feliz. Como uma prima minha disse por esses dias, é bem difícil definir em uma única palavra como era a minha mãe. Era guerreira, mas não era só guerreira. Era alegre, mas não era só alegre. Para que uma única palavra pudesse definir como era a minha mãe – a dona Maria do Carmo, Carminha pra uns, Carmem pra outros e do Carmo ou apenas Maria pra tantos outros – seria necessário que os dicionários passassem a contemplar um adjetivo ainda inexistente, um adjetivo que agregasse em sua essência todos os valores cultivados pela dona Maria do Carmo ao longo de sua vida, dentre eles, com certeza, a bondade, a generosidade, a disposição, o ânimo, a garra, a honestidade, a alegria e, sobretudo, a fé e o amor à vida. Assim como fizeram outros milhões de retirantes ao longo das décadas, minha mãe, nascida na Bahia, com muito orgulho, veio pra cidade grande ainda moça, com quase vinte anos, em busca de uma vida mais digna e menos sofrida. Aqui fez de tudo um pouco: trabalhou em tecelagem, em casa de família, foi telefonista, chegou a fazer muitos bolos, doces e salgados pra festa, e, sem exagero, costurava tão bem quanto as melhores costureiras. Acho que o barulho de uma máquina de costura ligada sempre vai me fazer lembrá-la, porque desde quando eu era criança acostumei a ver a dona Maria do Carmo descendo a lenha na máquina pra ajudar o meu pai no sustento da casa e na educação dos filhos. Aliás, continuando a história, já vivendo em São Paulo minha mãe conheceu o seu Darli, meu pai, que seria o seu futuro marido, e com quem concebeu dois filhos: meu irmão Claudio e eu. Dona Maria nos ensinou muita coisa, a mim, ao meu irmão e até mesmo ao meu pai, a família que ela amava. A mim, particularmente, ensinou também os primeiros acordes de violão. Fizemos muitos duetos em casa. Minha mãe adorava cantar e tocar violão. Conviver com a dona Maria do Carmo era estar diariamente ao lado de um legítimo exemplo de coragem e determinação. Mesmo com todas as adversidades e os problemas de saúde, que não eram poucos, minha mãe estava sempre sorrindo, sempre disposta a ajudar o próximo, sempre preparada a oferecer o seu ombro amigo. E muitos de vocês aqui presentes devem ter convivido com ela, devem ter acompanhado os trabalhos que ela realizou aqui mesmo nessa comunidade, e, certamente, podem agora reviver na lembrança alguns desses momentos. Em resumo, a dona Maria do Carmo, minha mãe e do meu irmão Claudio, e esposa do seu Darli sempre teve mais garra e energia do que nós três e as torcidas do Corinthians e Flamengo juntas. E quando me lembro dela é sempre um sorriso grande que me vem à cabeça, porque afora os dias nublados que nenhum de nós pode evitar, minha mãe sempre viveu com um sorriso estampado no rosto. Nem o derrame cerebral sofrido há três anos e meio conseguiu derrubá-la por muito tempo. Mesmo resignada a uma cadeira de rodas e com a fala prejudicada, minha mãe continuou sorrindo, cantando muito e tocando gaita. E até nos seus últimos dias na UTI, ainda pedia para voltar pra casa, queria saber das novidades e era capaz de sorrir. Minha mãe nos deu lições de vida e manteve a fé em Deus até o seu último momento. Agora, depois da perda, são inevitáveis a saudade e a vontade de ter vivido outros muitos anos ao lado dela, de ter lhe dado outros muitos beijos e abraços. Mas o que nos conforta é a certeza de que ela agora está no céu, em paz, descansando e vendo toda essa homenagem com um sorriso no rosto. Estamos certos de que essa despedida temporária não foi um adeus, foi apenas um até logo, porque um dia ainda nos encontraremos de novo. Até esse momento, sua lembrança fará de nossas mentes um lar e seguirá abraçando nossos corações. Se vocês me permitem, eu queria encerrar contando uma passagem. Uma das enfermeiras da UTI do Hospital Universitário, onde minha mãe passou suas duas últimas semanas de vida, me contou que quando ela já estava bem fraca, uma noite antes do quadro dela se agravar, ela disse com a voz bem baixinha que estava doendo muito e que já não agüentava mais. Depois pediu para que lhe ensinassem o caminho do céu e entoou um hino de louvor que a enfermeira não soube dizer qual era. Tenho certeza de que quando ela pediu para aprender o caminho do céu, ela estava vendo um anjo lindo na frente dela, ou quem sabe até mais de um. E que, a partir daquele momento, ela começou a se livrar de toda a dor e sofrimento. Mãe, eu sei que você pode me ouvir. Obrigado por essa vida maravilhosa que você nos deu, obrigado por ter sido a melhor mãe do mundo. Te amamos e você sempre estará em nossas mentes e corações. Olha por nós. Fica com Deus."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rio 2016, Copa 2014. É o Brasil para o mundo!




Quero ser sonhador e no mínimo acreditar que as coisas podem dar certas. Não quero fazer nenhuma apologia a nada e nem entrar em discussões infindáveis sobre o tema. MAS EU FICO FELIZ EM TER UMA OLIMPIADA NO RIO EM 2016. E mais... isso combinado com a “nossa” Copa do Mundo de Futebol em 2014 é como se gritássemos ao mundo que o Brasil existe.

Se o Presidente Lula deitou e rolou em cima dessa escolha?
É óbvio que sim! E qualquer outro político em seu lugar faria o mesmo, ou não? Os Jogos Olímpicos sempre tiveram pontuações políticas. Moscou em 1980 sem atletas americanos e a resposta em Los Angeles em 1984 sem atletas da antiga União Soviética. O atentado a delegação de Israel em Munique em 1972 uma marca triste na história dos Jogos. Até Hitler interferiu na maior celebração do esporte do planeta.

Exemplos de problemas financeiros?
Sim, existem Montreal e Atenas. Porém, existem exemplos de cidades que se beneficiam eternamente do legado de ter sido uma cidade sede. Mas como comecei este texto... não vou analisar nada!

Segue um desabafo:

Cresci ouvindo que Olimpíadas sempre acontecia longe e que nunca aconteceria no Brasil. Ouvia também que não tínhamos atletas... Sempre fomos os pobres divertidos do planeta com samba e futebol. Ué?
Futebol não é esporte? Ah! Sim desde criança já soube das conquistas do Brasil no Futebol... vivenciei o tri em 1970, o jejum, o tetra e o penta! E nunca entendi muito bem uma Copa em 1950 no Brasil e porque não teríamos outra Copa. E pior, testemunhamos duas Copas na Alemanha. Além de duas Copas no México e na Itália. E porque não no Brasil?. Enfim... desencantou Copa e Olimpíadas em nosso País e ainda serei um jovem senhor se Deus quiser para assisti-las. E olha só passamos americanos, japoneses e espanhóis e nosso Rio de Janeiro que mesmo machucadinho continua lindo e a cidade maravilhosa foi a escolhida!

Vou torcer muito e se puder ajudar para que tudo dê certo. Novos tempos sinalizam que pode dar certo sim! Sem uruca ou pessismismo... se for o caso fiscalizemos, mas “zica” não! Isso está no passado.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ousadia teatral com forte sensibilidade


“As troianas – Vozes da Guerra” é a ousada montagem teatral do diretor Zé Henrique de Paula e seu Núcleo Experimental. A base é a tragédia grega de Eurípides em um interessante paralelo com mulheres judias na II Guerra Mundial em uma livre adaptação. Os cenários muito belos são de uma simplicidade eficiente. Nas primeiras cenas ainda é utilizado um recurso de multimídia com a exibição de um filme especialmente produzido para o espetáculo.

Os cenários são de uma beleza tocante e simples e que reforçam imagens fortes e marcantes. Essa transformação de um texto clássico (ou mesmo a versão de Jean Paul Sartre) exige uma atenção especial da plateia. Os homens falam apenas em alemão e as mulheres na mesma língua apenas cantam, rezam ou dizem seus nomes.

Todo o trabalho do diretor e a coesão dos atores resgatam a história das sobreviventes do conflito de Tróia, como o que se passa dentro de um campo de concentração, como é ter a privação quase que completa de seus direitos, como são tratadas essas pessoas e se existe esperança numa situação como essa.

Helena, rainha de Esparta, ostentava o título de "mulher mais bela do mundo". Em visita à corte grega, Páris – príncipe de Tróia – conheceu Helena e supostamente a raptou. Menelau, seu esposo, num acesso de raiva e ciúme, estourou uma batalha entre gregos e troianos. Começava aí a famosa Guerra de Tróia. "As Troianas" trata do fim desse conflito vencido pelos gregos. Todos os homens troianos foram mortos. Algumas mulheres sobreviveram, mas foram aprisionadas e viraram escravas do inimigo. Em “As troianas – Vozes da Guerra” os espartanos são bem transpostos em militares nazistas e uma Helena altiva que se diferencia e destaca do grupo de mulheres, porém todos mostram uma comunhão perceptível na qualidade final do que é apreciado por quem os assiste.

A iluminação é um toque especial e um elemento único no cenário engrandece um clima de veracidade do princípio ao final da peça. Uma criança em cena destaca o conflito de mães desesperadas, sem esboçar qualquer mínimo traço piegas. Mesmo quem não gosta de temáticas fortes não consegue deixar de reverenciar um trabalho competente e responsável. A dor das judias (troianas) sozinhas pela perda de seus homens e filhos se defronta com a dureza de alemães nazistas (espartanos). O mais importante é que mesmo para aqueles que desconhecem o texto, a verdade em cena e a dramaticidade dos atores chega a todos e transmite o horror comum e odioso em qualquer conflito de guerra.

Ficha Técnica:
As Troianas - Vozes da Guerra - Drama
De 11/09 a 01/11 - Sex, Sab e Dom
Horário: sex, às 20h30; sab, às 20h e dom, às 19h
Preço: R$20,00 e R$10,00 (meia)
Rua Rui Barbosa - 153 Bela Vista Fone: 3288-0136
Texto: Livremente adaptado de As Troianas, de Eurípides
Direção: Zé Henrique de Paula
Direção Musical: Fernanda Maia
Elenco: Inês Aranha, Norma Gabriel, Kelly Klein, Ci Teixeira, João Pedro de Almeida Teixeira, Alexandre Meirelles, Fábio Redkowicz, Léo Bertero, André Dallan, Bibi Piragibe, Claudia Miranda, Diana Troper, Karin Ogazon, Marcella Piccin, Patrícia Vieira
Atores Convidados: Inês Aranha e Norma Gabriel
Participação em Vídeo: Patricia Pichamone e Sergio Mastropasqua